Escola secundária 

com 3º ciclo do ensino básico

de Tondela

 

 

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COMO ESTUDAR?

Página principal

 

   Atitude face às aulas
   Técnicas de leitura
   Elaboração de respostas
   Material adicional

Muitos alunos, apesar do seu esforço, não conseguem obter o sucesso escolar que estaria ao seu alcance, pois trabalham com métodos inadequados.

Saberão todos os alunos estudar? A Escola ensina os alunos a estudar fornecendo-lhes informação sobre métodos e técnicas de estudo? Pensamos que não.

Esta página tem como objectivo reunir dados sobre esta questão, de forma simples e despretensiosa. Pretendemos que a página venha a ser constantemente enriquecida. Para isso, estamos abertos às vossas ideias e ao material que nos queiram enviar.

 Atitude face às aulas

O insucesso escolar é fortemente afectado pela forma como o aluno permanece na aula, isto é, a sua atitude em termos de expectativa e a maneira como reage aos acontecimentos. Devemos ter em atenção os seguintes aspectos essenciais:

    Atitude positiva

  • Acreditar que o estudo dos assuntos das diversas disciplinas contribui para o desenvolvimento das nossas capacidades em geral.
  • Ter autoconfiança, pois um desempenho médio está ao alcance de qualquer aluno.

    Espírito de trabalho

  • A quebra de atenção devido a sucessivos acontecimentos perturbadores diminui bastante a eficácia do nosso trabalho.
  • Evitar brincadeiras, conversas ou a concentração em assuntos diferentes dos que estão a ser estudados.

    Espírito crítico

  • Não basta olhar para ver, não basta ouvir para escutar.
  • A compreensão dos assuntos implica uma permanente atitude crítica sobre aquilo que se ouve ou vê.
  • Esta atitude crítica exerce-se relacionando aquilo que está a ser estudado com aquilo que já conhecemos e com as opiniões que temos sobre o assunto.
  • Usamos este espírito crítico para descobrir aquilo que é (ou parece ser) o essencial dos assuntos estudados, as ideias principais, o "sumo da questão".
  • Uma boa forma de espevitar o espírito crítico é, de vez em quando, estudar um assunto antes de ele ser abordado pelo professor na aula.

    Tirar bons apontamentos

  • É fundamental tirar apontamentos a partir das explicações do professor. Provérbio chinês: a tinta mais pálida é melhor que a memória mais fiel.
  • O interesse dos apontamentos reside na possibilidade de revermos e  reconstruirmos mais tarde o estudo que foi feito na aula.
  • Porém, tirar bons apontamentos não significa registar sistematicamente tudo o que é dito ou mostrado pelo professor.
  • Pelo contrário, um primeiro passo para o sucesso é registar apenas aquilo que o nosso espírito crítico classifica como essencial para ser revisto mais tarde.
  • Os apontamentos não devem resumir-se a texto. Por vezes um esquema imaginado no momento por nós é mais expressivo que trinta palavras.

 

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Técnicas de leitura

Apesar da crescente diversificação dos suportes informativos, a maior parte do estudo continua a fazer-se recorrendo à informação escrita em livros. Esta secção trata de técnicas que permitem aumentar a eficácia da leitura.

Nem todos os textos são lidos da mesma maneira. Uma novela ou um manual escolar são textos diferentes que requerem diferentes abordagens de leitura.

Podemos distinguir três tipos básicos de leitura.

1. Leitura "em diagonal"

A leitura "em diagonal" é uma observação "por alto" do material escrito, com o objectivo de formarmos rapidamente uma ideia global do seu conteúdo. Esta observação dá atenção aos índices, títulos, subtítulos, e partes do texto que se encontrem em destaque. Devem ser lidos alguns parágrafos e frases ao acaso, no início, no meio e no fim do texto. Um texto com 10 páginas pode ser lido desta forma em apenas 3 a 6 minutos.

Embora este tipo de leitura seja normalmente usado quando não temos muito tempo disponível, também devemos usar esta técnica como primeira leitura de um texto que pretendemos estudar em profundidade.

2. Leitura normal

Trata-se da leitura completa do texto, de forma corrida e sem grandes interrupções. É o tipo de leitura usada para ler uma notícia de jornal ou uma obra literária. Mas também vários textos de estudo requerem este tipo de leitura. Os principais factores a ter em conta para a eficácia da leitura completa são os seguintes:

3. Leitura em estudo

Estudar não é apenas ler. Enquanto que a leitura completa se faz sem paragens, a leitura em estudo é interrompida constantemente para que possamos analisar certos pormenores, ou seja, para pensar, comparar, relacionar, criticar, avaliar, memorizar e efectuar registos relativamente àquilo que estamos a ler.

Para obtermos o máximo rendimento, a leitura em estudo deve ser sempre precedida das duas formas de leitura anteriores.

Os três tipos de leitura implicam técnicas distintas. Mas, em termos globais, podemos considerar os seguintes aspectos praticamente comuns a todos eles:

    Concentração

  • A leitura necessita de ser feita em ambiente calmo e sem elementos perturbadores da nossa concentração (rádio, televisão, conversas, entrada e saída de pessoas). Um fundo musical muito baixo pode ajudar a criar ambiente para certas pessoas.
  • A leitura em estudo deve ser feita numa mesa, de forma a podermos usar facilmente diversos materiais (outros textos, cadernos, papel de rascunho, canetas, lápis, borracha, etc.).

    Espírito crítico

  • Não basta soletrar para ler. A compreensão dos assuntos implica uma permanente atitude crítica sobre aquilo que se lê.
  • Esta atitude crítica exerce-se relacionando aquilo que está a ser lido com aquilo que já conhecemos e com as opiniões que temos sobre o assunto.

    Velocidade de leitura

  • A velocidade de leitura deve ser adaptada à natureza dos textos. Será mais lenta quanto mais complexos eles forem.
  • A leitura deve ser feita com a cabeça imóvel (apenas os olhos se deslocam), sem acompanhar as palavras com o dedo ou um lápis.
  • A leitura deve ser puramente «visual», isto é, não devemos pronunciar as palavras, nem sequer mentalmente.
  • A leitura          não         deve         ser         feita          palavra             a palavra,             mas sim
por grupos de palavras               abarcadas de uma só vez
em cada movimento dos olhos
  • Ao contrário daquilo que muitas pessoas pensarão, a leitura não deve ser feita de forma pausada e com lentidão, mas sim de forma decidida ou mesmo rápida. O leitor rápido, além de poupar tempo, compreende melhor o sentido daquilo que lê.
  • No caso de a velocidade ter sido excessiva para a compreensão de alguma frase, devemos reler essa passagem mais lentamente.
  • Por vezes, também temos de voltar atrás para reler uma ou mais frases, pois o contexto inicialmente percebido (encadeamento de ideias) pode necessitar de ser revisto.

                    

TESTE

Qual a sua velocidade de leitura?

Experimente ler (em silêncio, sem soletrar as palavras) o seguinte texto, contando o tempo que leva para o fazer (em segundos):

     Quantos planetas há no Sistema Solar? Qualquer pessoa responde com facilidade: nove. Todavia, para chegar a esta simples conclusão, o mundo da astronomia teve de percorrer um longo caminho de descobertas, pistas falsas e erros.
     A família planetária conhecida começava com Mercúrio e acabava com Saturno, até que, em 1781, William Herschel descobriu, de forma acidental, um novo membro da família, Urano, através do telescópio instalado no seu jardim, em Bath (Inglaterra). A descoberta valeu-lhe fama imediata e uma pensão vitalícia do rei.
     Espicaçados pelo êxito de Herschel, outros astrónomos dedicaram-se de imediato a estabelecer as bases de uma nova disciplina, a caça aos planetas, mas foi preciso mais de meio século para localizarem a primeira presa. Neptuno foi registado em 1846, embora a sua existência já antes tivesse sido demonstrada no papel: os astrónomos tinham reparado em ligeiras irregularidades na órbita de Urano, apenas explicáveis pela atracção gravitacional provocada por outro corpo de grandes dimensões.
     Generalizou-se assim entre os cientistas, a esperançosa ideia de que os mundos invisíveis podiam ser descobertos observando meticulosamente os subtis movimentos orbitais dos planetas conhecidos.

Agora compare o tempo gasto na leitura com a seguinte tabela:

30 segundos

45 segundos

60 segundos

90 segundos

leitor rápido

leitor médio

leitor lento

leitor muito lento

    Acções complementares à leitura

        Sublinhados

Os sublinhados ajudam-nos a reler rapidamente o essencial de um texto sem efectuar uma leitura completa. Devem, por isso, ser usados com critério, apenas nas palavras ou frases fundamentais. Se várias frases ou mesmo parágrafos merecem ser sublinhados integralmente, o sublinhado pode ser substituído por traços verticais nas margens, ao lado do texto que se pretende destacar. Esta alternativa permite usar vários tipos de traços que podemos convencionar, como, por exemplo, traço duplos para parágrafos muito importantes, linhas onduladas para exemplos, etc.

    Apontamentos

Os apontamentos em caderno próprio permitem rever o assunto algum tempo depois, sem haver necessidade de voltar a ler o texto completo. Os apontamentos não devem ser meras transcrições de partes do texto, mas sim resumos produzidos por nós. Poderão ser constituídos por frases ou por esquemas gráficos que sintetizem relações (setas, desenhos, símbolos diversos).

O resumo:

  • abrevia o texto inicial
  • conserva as ideias principais do texto inicial
  • utiliza palavras ou símbolos originais de quem resume misturadas com palavras-chave do texto inicial

Qualquer resumo é apenas um de entre vários que é possível fazer. Elaborar resumos treina a capacidade de síntese e desenvolve uma maior facilidade de expressão. Mas o principal interesse dos apontamentos reside noutro facto: é que o esforço gasto na sua execução ajuda a compreender as ideias contidas no texto estudado e contribui de forma decisiva para a sua memorização.

Conclui-se esta secção com um exemplo de elaboração de um apontamento resumido a partir da leitura.

  1. Sendo o exemplo feito a partir de um texto curto, não será feita a leitura "em diagonal". Assim, leia o seguinte texto de forma corrida (leitura completa):
Se convidarem as pessoas para dizerem o que lhes vier à cabeça sobre a paciência, obterão respostas do tipo: «Uma mulher resignada, um boi, uma pessoa de idade que deixa passar o tempo». Por outro lado, a impaciência: «Um jovem activo, um chefe que dá ordens de forma arrogante, uma mulher bela e caprichosa». Há portanto muita gente que considera a paciência e a impaciência duas qualidades inatas, como a cor dos olhos ou o comprimento do nariz. Alguns vangloriam-se até da impaciência do marido ou da mulher. «Não consegue estar quieta um momento, não suporta demoras», dizem, como se fosse uma demonstração de vivacidade intelectual ou força de carácter.

Estou, no entanto, convencido que a paciência é uma virtude fundamental. E, para começar, não é realmente inata. A paciência aprende-se, constrói-se com o exercício pertinaz da vontade. A criança é impaciente. Quando tem fome, chora, se a mãe não está, fica desesperada. O adolescente é impaciente, para ele é um castigo estar fechado umas horas na escola. Mas também a criança, também o jovem, se quiserem conseguir alguma coisa num desporto, do futebol à pesca, têm de começar por disciplinar os seus impulsos. Têm de aprender a estar quietos, atentos, e depois explodir quando for o momento, nem antes, nem depois. Têm de repetir pacientemente centenas de vezes o mesmo gesto para o aperfeiçoarem.

Francesco Alberoni, O optimismo    

  1. Para um leitor experimentado, esta primeira leitura deixa uma ideia global do conteúdo do texto. Porém, diversos leitores não terão atingido uma compreensão mínima satisfatória, até porque talvez existam algumas palavras de significado obscuro.
  2. O estudo será feito com o auxílio de um dicionário para compreender o significado de palavras difíceis. Vamos supor que havia as seguintes dúvidas:

           resignação - paciência com que se sofrem os males, cedência voluntária, conformismo
       
   inato - que nasce com o indivíduo e não resulta da aprendizagem ou da experiência
       
   vangloriar-se - orgulhar-se, manifestar vaidade
       
   pertinaz - tenaz, teimoso, que demonstra firmeza

  1. Efectue uma leitura de estudo, introduzindo os significados das palavras obscuras e tentando identificar as ideias fundamentais expressas no texto. Registar essas ideias fundamentais num esquema. (Mesmo que tenha compreendido o texto, sugerimos que releia o texto neste momento. Verifique que a segunda leitura aviva o sentido do texto)
  2. Um esquema das ideias fundamentais resultantes da leitura em estudo poderá ser o seguinte:
opinião corrente:
           paciência = inactividade, fraqueza
           impaciência = actividade, vivacidade, força
           qualidades inatas

realidade:
           paciência = virtude
           qualidade não inata (crianças são impacientes)
           sucesso >>> atenção e repetição pacientes

  1. O esquema anterior pode ser transformado num apontamento resumido. Eis dois exemplos possíveis:
É opinião corrente que a paciência é um sinal de fraqueza e de inactividade, enquanto a impaciência revela uma actividade intensa e uma personalidade forte, sendo atributos que nascem com a pessoa e definem o seu carácter. Na realidade, todas as crianças são impacientes e ser paciente é uma virtude, um sinal de maturidade. Para atingir o sucesso em qualquer actividade é necessário um carácter forte, tendo paciência para estar com atenção e para repetir centenas de vezes o mesmo gesto até ele estar perfeito.
A opinião corrente associa a paciência a uma fraqueza inata das pessoas inactivas. Mas todas as crianças são impacientes, verificando-se que qualquer actividade, para ser feita com perfeição, exige uma aprendizagem paciente, só possível a quem tem força de vontade. Então, a paciência é uma virtude fundamental.

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Elaboração das respostas

Parte do insucesso do aluno começa na forma pouco cuidada com que elabora as suas respostas nos testes escritos. Eis algumas ideias básicas para melhorar a qualidade das respostas:

  • Alguns alunos elaboram a resposta partindo do princípio que ela vai ser lida por uma pessoa que conhece o assunto (o professor). No entanto, a qualidade da resposta tende a aumentar se o aluno elaborar a resposta fingindo que ela se destina a ensinar alguém que desconhece o assunto. Experimente redigir as respostas como se o destinatário fosse um aluno mais novo.

  • As frases curtas são mais fáceis de escrever (e de ler) do que as longas. Porém, os alunos que revelam maiores dificuldades de expressão insistem em construir frases longas. Se tem dificuldades em se exprimir, use e abuse do ponto final.

  • Na maior parte das questões dos testes é esperada uma resposta curta, clara e objectiva. Assim, elabore uma primeira resposta em rascunho e depois tente dizer o mesmo de forma mais directa e com menos palavras.

  • As ideias devem ser expressas em progressão lógica. Uma forma fácil de o fazer é usar expressões de associação ou contraste, regra geral no início das frases, como: além de, embora, contudo, porém, no entanto, por outro lado, assim, etc. Os tópicos anteriores são exemplos desta técnica.

  • A qualidade da escrita melhora com a leitura de bons textos publicados em livros, revistas e jornais. Para praticar a escrita, experimente copiar textos interessantes (parágrafos, pensamentos, poemas...) ou elaborar um diário pessoal onde se registem ideias, experiências e sentimentos.


Apresentam-se seguidamente alguns exemplos extraídos de respostas reais.

           Exemplo 1 (Tecnologias de Administração - 10º Ano)

Texto original

Texto alternativo

Há um grupo de pessoas que gostam mais das características de um programa televisivo e outro grupo que gosta de ver outros com características diferentes da anterior. Há pessoas que preferem um tipo de programas televisivos. Outras preferem programas com características diferentes.

      Comparação:

Texto original - 1 frase, 27 palavras, confusão de sentido com a colocação próxima das palavras "outro" e "outros", discordância singular-plural.
Texto alternativo - 2 frases, 15 palavras.

           Exemplo 2 (Tecnologias de Administração - 10º Ano)

Texto original

Texto alternativo

Uma empresa é um conjunto de pessoas isto é, sócios que se juntam de modo a formar uma empresa, com a finalidade de prestar bens ou serviços à comunidade, de modo a que uma empresa possa ser viável. A empresa pode ser com ou sem fins lucrativos neste último caso trata-se das cooperativas que são empresas criadas para prestar serviços à comunidade e que não têm fins lucrativos. Uma empresa é um conjunto de pessoas que se juntam com a finalidade de produzir bens ou serviços para a comunidade. A empresa pode ter ou não fins lucrativos. Exemplo deste último caso são as cooperativas.

        Comparação:

Texto original - 2 frases, 68 palavras, deficiente pontuação, repetição de expressões como "empresa" (5 vezes), "prestar serviços à comunidade" (2) e "fins lucrativos" (2).
Texto alternativo - 3 frases, 36 palavras.

 

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Material adicional sobre este assunto

Sobre métodos e técnicas de estudar poderão ser consultados os seguintes elementos:

Na biblioteca da Escola Secundária de Tondela

    Aprender a Estudar - Um guia para o Sucesso na Escola
    António Estanqueiro
    Texto Editora, 7ª edição, 1998, 119 pp.

Na Internet

    Porto Editora
    Sapo - Estudante
    Centro Educacional Vitória Régia - Brasil

    Soma - Brasil
    Micmac - Brasil
    Desidério Murcho (Filosofia)

Outros livros

    Aprender a Dominar a Escrita
    Fernanda Afonso e Esmeralda Lopes
    Texto Editora

    Aprender a Ter Sucesso na Escola
    Vítor Alaiz e João Barbosa
    Texto Editora

    Como Estudar Melhor
    P. O'Meara, D. Shirley, R. D. Walshe
    Editorial Presença

    Como Ensinar a Estudar

    Ana Carita, Ana Cristina Silva e outros
    Editorial Presença

    Eficácia no Estudo

    Rafael Benet e outros
    Editorial ASA

    Saber Estudar e Aprender

    Maria Teresa Serafini
    Editorial Presença

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